Descalabro Financeiro

09 Set 2010 Descalabro Financeiro

COMUNICADO

DESCALABRO FINANCEIRO

A Região está em falência técnica e política. O anúncio das graves dificuldades financeiras porque passam as Casas do Povo, não pode ser analisado de forma isolada. A questão é muito mais vasta e complexa. O problema situa-se no desastre das contas públicas cujas responsabilidades atingem seis mil milhões de euros. As Casas do Povo constituem, apenas, uma gota no oceano do descalabro financeiro: são as Sociedades de Desenvolvimento com mais de seiscentos milhões em dívida, é o caso das autarquias com mais de trezentos milhões, são as pequenas e médias empresas aflitas com o atraso no pagamento da facturação ao sector público, é o caso de todos os estabelecimentos de educação e ensino sem dinheiro para cumprirem o seu projecto educativo, é o caso do sistema de saúde completamente descapitalizado com dívidas às farmácias e aos fornecedores em geral pondo em causa o direito à saúde, é todo o associativismo desportivo e cultural com atrasos de quase quatro anos no cumprimento dos contratos-programa assumidos, é o caso da banca que está a limitar o acesso ao crédito, enfim, a Região da Madeira vive uma tragédia financeira a par de outras tragédias que a assolaram.
Enquanto isto acontece, de uma forma absolutamente obscena, várias empresas, as protegidas pelo regime imposto pelo PSD, apresentam resultados que provam que este descontrolado governo rouba a pouca riqueza existente para entregá-la aos que constituem as estacas do regime.
A situação das Casas do Povo apenas coloca em evidência o polvo dos interesses e o efeito da megalomania da obra pública sem retorno económico e social, a péssima gestão e administração dos recursos financeiros, os gastos em festas com claros objectivos de propaganda do regime, a subsidiodependência de todas as instituições públicas e privadas, sem controlo e sem o mínimo respeito por uma estratégia de prioridades.
A solução desta tragédia financeira que implica o aumento do desemprego, da pobreza e da exclusão social e, por extensão, o condicionamento do futuro, nada tem a ver com a Revisão Constitucional. Esse é um fait-divers e um álibi para tentar esconder a incompetência de um governo que coloca em primeiro lugar os seus interesses de poder em detrimento da busca de soluções equilibradas e sustentáveis para o desenvolvimento da Região.

Funchal, 08 de Setembro de 2010
O Presidente do Grupo Parlamentar do PS

André Escórcio

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